Os truques de uma designer para transformar um apartamento alugado de dois quartos em um loft amplo e arejado

Os truques de uma designer

Essas estratégias inteligentes para espaços compactos transformaram um apartamento neutro e sem personalidade em um lar leve, com profundidade e camadas visuais.

Os truques de uma designer
Crédito: Brie Williams / Interior Design: Susan Galvani

A designer de interiores Susan Galvani domina como poucos a arte de trabalhar espaços reduzidos — uma habilidade refinada ao longo dos anos em que viveu na cidade de Nova York. Para aproveitar ao máximo seu apartamento de dois quartos em Charleston, na Carolina do Sul, ela buscou referências tanto próximas quanto distantes: a vista para o rio e os lofts de Manhattan. A paisagem natural a levou a manter a decoração discreta, permitindo que o cenário fosse o protagonista, enquanto a influência nova-iorquina inspirou um estilo mais urbano e contemporâneo. O que mais a encantou no imóvel foi justamente seu potencial: um espaço neutro, pronto para receber personalidade — e, melhor ainda, com permissão para aplicar papel de parede.

“Eu queria deixar minha marca ali”, conta. Susan desejava preservar a sensação de loft que a atraiu inicialmente naquele apartamento de cerca de 100 metros quadrados, então recorreu a alguns de seus truques profissionais para ampliar visualmente o espaço sem comprometer a leveza do ambiente. Com olhar apurado, ela transformou um aluguel sem identidade em um lar acolhedor, cheio de camadas e com sensação de amplitude muito maior do que sua metragem sugere. A seguir, ela compartilha suas principais estratégias para otimizar espaço e fluidez.

Os truques de uma designer
Crédito: Brie Williams | Interior Design: Susan Galvani

1. Invista em uma paleta harmoniosa

Uma das estratégias adotadas por Susan foi restringir a paleta de cores da área social a tons claros e luminosos. “Para evitar que o ambiente ficasse uniforme ou sem graça, o segredo foi trabalhar diferentes texturas e variar discretamente a escala e os padrões”, explica. Elementos em madeira quente, rattan, linho e couro conduzem o olhar pelo living e acrescentam profundidade, criando camadas que dão vida ao espaço.

DICA: A tinta branca não precisa se limitar às paredes: ela também pode ser usada para clarear móveis. O branco reflete a luz, amplia a sensação de espaço e ainda torna as peças menos dominantes quando inseridas em ambientes com paredes da mesma cor.

Ela também foi estratégica na escolha dos móveis, optando por menos peças, porém estofadas e de maior porte, para simplificar o conjunto e evitar excesso visual. Escolheu uma mesa de centro mais baixa e um móvel de armazenamento discreto para manter o foco na vista, além de mesas redondas que favorecem a circulação. Todas as peças seguem a mesma linha cromática, em branco ou tons neutros.

Toques de cores mais intensas aparecem nas obras de arte e nos acessórios, enquanto a composição de quadros na parede cria um ponto focal dinâmico — e, de forma inteligente, desvia a atenção da televisão.

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Crédito: Brie Williams | Interior Design: Susan Galvani

2. Delimite áreas

A área principal de estar e a cozinha se integram em um mesmo ambiente, mas Susan organizou o layout de forma estratégica para diferenciar, de maneira sutil, os espaços de estar e de jantar. “É importante separar o ambiente em zonas distintas, mas garantindo que cada uma possa desempenhar mais de uma função”, explica.

Assim, embora a sala de jantar tenha identidade própria, ela também utiliza a mesa como espaço de trabalho quando necessário. Para não comprometer a fluidez do ambiente, escolheu uma estante aberta com inclinação, que ocupa menos volume visual do que um modelo tradicional. Da mesma forma, a mesa redonda facilita a circulação no nicho onde foi posicionada, ao contrário de uma versão quadrada, e o formato curvo das cadeiras acompanha o desenho da mesa. Para dar personalidade ao imóvel alugado, Susan adaptou o pendente existente com uma cúpula de rattan, adicionando textura e identidade ao espaço.

Dica: Prefira menos móveis, mas com funções versáteis. Em vez de ter uma mesa de centro e outra apenas para brincadeiras, escolha uma mesa de centro que também possa servir para que seu filho desenhe ou realize atividades com conforto.

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Crédito: Brie Williams | Interior Design: Susan Galvani

3. Disfarce à vista

A ilha da cozinha delimita a área de preparo em relação à sala, mas seu desenho aberto, semelhante a uma mesa, preserva a leveza do conjunto. Armários brancos, revestimento em tom cinza-claro no backsplash e luminárias de vidro ajudam a integrar visualmente a cozinha ao restante do ambiente, quase se dissolvendo no cenário. Se a intenção é evitar que uma cozinha integrada se imponha sobre a área de estar, a escolha por elementos discretos e de baixa interferência visual é o caminho mais equilibrado.

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Crédito: Brie Williams | Interior Design: Susan Galvani

4. Aproveite cada metro quadrado

No corredor que leva aos quartos, Susan posicionou uma fotografia do Panteão, em Roma, cuja composição dialoga com as linhas da estante próxima. Um banco estreito, com espaço para acomodar cestos na parte inferior, transforma uma área antes subutilizada em solução de armazenamento. “Em ambientes compactos, é essencial pensar em como cada espaço pode desempenhar múltiplas funções e ser aproveitado ao máximo”, afirma.

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Crédito: Brie Williams | Interior Design: Susan Galvani

5. Crie um refúgio

O apartamento não se resume a tons claros e atmosfera leve. No quarto do filho, Susan explorou sua afinidade por estampas e cores intensas, revestindo todas as paredes com um papel de parede de temática florestal, que envolve o ambiente por completo. “É como ser transportado para outro lugar”, comenta — e essa sensação de imersão e contraste pode ampliar a percepção de espaço.

Para preservar ao máximo a área livre para brincar, ela escolheu uma cama tipo daybed, posicionada paralelamente à parede. Arandelas e prateleiras suspensas também ajudam a manter o piso desocupado. Inspire-se nessa abordagem e opte por papéis de parede lúdicos que estimulem a imaginação, lembrando de aplicá-los em todas as paredes para garantir continuidade visual; limitar o revestimento a apenas uma parede de destaque pode produzir o efeito contrário e reduzir a fluidez do ambiente.

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Crédito: Brie Williams | Interior Design: Susan Galvani

6. Menos é mais

Na suíte principal, a cabeceira alta acompanha a proporção do pé-direito elevado, reforçando a verticalidade do ambiente. Soluções de iluminação bem planejadas liberam espaço nas mesas de cabeceira estreitas, deixando-as disponíveis para livros e objetos essenciais, enquanto a luminária de piso assume também um papel escultórico. Móveis com armazenamento integrado, como camas com gavetas ou pufes-baú, permitem guardar mais itens sem ocupar área extra ou gerar excesso visual. Quando a intenção é transformar o quarto em um verdadeiro refúgio, a simplicidade é o caminho mais eficaz.

Com conteúdo de bhg

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